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17 de julho de 2019 às 4:30

A importância do atendimento odontológico ao paciente oncológico

O cirurgião dentista tem papel fundamental no cuidado do paciente oncológico. Esse cuidado se estende antes, durante e após o tratamento oncológico, principalmente nos pacientes que recebem radioterapia na região de cabeça e pescoço, onde os efeitos do tratamento incidem diretamente na cavidade bucal. A avaliação odontológica prévia é essencial para eliminar quaisquer focos de infecção e orientar o paciente em relação aos cuidados durante o tratamento. Um bom exame clínico e de imagem, auxiliam no diagnóstico e plano de tratamento. Mudança de hábitos de higiene e cuidados com a alimentação são muito importantes para reduzir os efeitos do tratamento antineoplásico.

  Durante o tratamento radioterápico o paciente necessita da manutenção dos hábitos de higiene bucal e cuidados para prevenir ou amenizar os efeitos imediatos ao tratamento. Efeitos esses como a mucosite oral, que é uma inflamação da mucosa da boca apresentada inicialmente com a cor avermelhada e depois aparecendo ulcerações semelhantes a aftas. O paciente também pode apresentar xerostomia, que é a sensação de boca seca devido à diminuição na produção de saliva. Pode ter alteração no paladar conhecida, também como disgeusia, dor para deglutir (odinofagia) ou dificuldade para engolir (disfagia), e também apresentar infecções oportunistas como cândida e herpes. Alguns pacientes podem apresentar trismo, que é a limitação de abertura bucal o que dificulta inclusive a higiene da boca.

Após o tratamento radioterápico deve-se manter o acompanhamento odontológico e os cuidados normais com o paciente, para evitar efeitos tardios, como a cárie relacionada à radiação, perda dos dentes e a osteorradionecrose, na qual qualquer trauma no tecido ósseo deixa-o exposto e/ou infectado, com dificuldade para cicatrizar. Nos pacientes que estão em Quimioterapia, é importante passarem por avaliação odontológica antes de iniciar o tratamento para eliminar os focos de infecção e não ter intercorrências durante o tratamento oncológico.

Manifestações bucais como xerostomia, disgeusia e infecções oportunistas também podem ocorrer durante o tratamento. A mucosite pode estar presente como efeito de alguns quimioterápicos que são estomatotóxicos, ou seja, afetam a cavidade bucal. É importante também saber o melhor período durante o tratamento oncológico para realizar tratamentos odontológicos invasivos, por causa da queda de imunidade durante os ciclos de quimioterapia.  Exames de sangue como hemograma e coagulograma são importantes para realização de tratamento com segurança.

Outros cuidados.

Outros cuidados com o paciente oncológico são direcionados a pacientes que fazem uso de medicações como o bisfosfonatos e denosumab, que na realização de procedimentos que envolvam o tecido ósseo, podem levar ao aparecimento da osteonecrose por medicamentos e o tecido ósseo também fica exposto gerando dificuldade de cicatrização. É necessário também verificar outras condições sistêmicas que o paciente apresenta antes de realizar qualquer procedimento odontológico. A saúde em bucal e geral contribuem para o sucesso do tratamento.


Colaboração: Cizelene Do Carmo Faleiros Veloso Guedes, Graduada em Odontologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-Unesp (1999), Mestrado pela Universidade Federal de Uberlândia- UFU (2010), Doutorado pela Universidade Federal de Uberlândia- UFU (2018). Professora titular da Faculdade Patos de Minas (FPM) e cirurgiã dentista, atuando no atendimento de pacientes oncológicos do Hospital do Câncer de Uberlândia. Preceptora e tutora do programa de residência multiprofissional- Atenção em oncologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).  Especialização em Odontologia hospitalar pelo CFO (2017) e Especialização em preceptoria no SUS pelo Instituto de Ensino e pesquisa Sírio Libanês (2017) e Atualização em Estomatologia- UFU (2001).

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