A abrasividade dos dentifrícios

12 de março de 2020 ás 19:12

A abrasividade dos dentifrícios e o desgaste subsequente que poderá ser gerado varia de acordo com a composição dos mesmos e do processo de escovação dental. É fato que a abrasão gerada como fator isolado não promove desgaste significativo das estruturas dentais. Ela atua como fator colaborador e potencializador, principalmente nos casos em que se realiza a higienização bucal imediatamente após o consumo de substâncias ácidas e episódios de refluxo gastroesofágico.

O potencial abrasivo de um dentifrício será dependente do tipo do abrasivo, dureza, tamanho, distribuição, formato das partículas e da quantidade de cerdas e tipo de cerdas da escova e técnica de escovação utilizada. É preciso destacar a presença de abrasivos no dentifrício é essencial para que haja a remoção de resíduos e garantir a limpeza das estruturas dentais. No entanto, deve existir um limite de abrasividade, para que o paciente consiga promover a limpeza de seus dentes sem que haja danos as estruturas dentais. O esmalte dental não gera grande preocupação, já que possui uma dureza e resistência maior do que aquela dos principais abrasivos utilizados em dentifrícios. Por outra lado, devido a sua composição, a dentina apresenta maior susceptibilidade ao desgaste quando comparada ao esmalte e merece grande atenção.

Para facilitar a quantificação da abrasividade dos dentifrícios, diversos índices foram desenvolvidos mundialmente. No entanto, os mais conhecidos e mais utilizados são os índices REA (do inglês “Radioactive Enamel Abrasion”) e RDA (“Radioactive Dentin Abrasion”). Esses são dois parâmetros internacionais preconizados pelas agências reguladoras para mensurar o quão abrasivo um material é em relação ao esmalte e a dentina, respectivamente. A determinação do valor de abrasividade será realizada envolvendo o uso de abrasivos padronizados em comparação com a amostra de teste. A Organização Internacional para Normalização (ISO 11609) classifica os valores de abrasividade dos dentifrícios (escala de 0 a 250), de acordo com a nocividade em baixa (0-70), média (71-100), alta (101-150), muito alta (151-250). Assim, quanto maior o RDA de um dentifrício, mais abrasivo ele é. Outro fatores do dentifrício também devem ser levados em, como por exemplo o pH que ele apresenta, já que quanto mais ácido for , maior será o seu potencial abrasivo.

Antes de recomendar um dentífrico é essencial que você conheça a composição e abrasividade do mesmo. Escolha dentifrícios de baixa abrasividade e passe orientações de escovação dental adequadas aos seus pacientes. Assim, será possível garantir a realização da higienização bucal diária de maneira segura e  prevenir o envelhecimento precoce dos dentes.

Colaboração: Dra. Livia Fávaro Zeola
Graduada pela Universidade Federal de Uberlândia.
Especialista em Dentística Restauradora – Universidade de São Paulo, USP – Ribeirão Preto.
Mestre em Odontologia – Universidade Federal de Uberlândia.
Doutora em Odontologia – Universidade Federal de Uberlândia, com Estágio Sanduíche na Universidade de Washington, Seattle, Estados Unidos.